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Tesouro Reserva e seus efeitos colaterais

  • Foto do escritor: Ricardo Rochman
    Ricardo Rochman
  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura

O Tesouro Nacional, a B3 e o BB lançaram o Tesouro Reserva ("o Reserva") com aplicação mínima de R$1, rendimento atrelado a SELIC, disponível quase 24x7, e proposta de virar aplicação de reserva de emergência. Para o aplicador, especialmente o pequeno, ele é simples, líquido, acessível e sem risco de crédito. Tem tudo para atrair muitos investidores.


O problema é que o dinheiro que vai entrar nele terá que sair de algum lugar.


Parte dos recursos direcionados ao Reserva pode vir da poupança, parte de fundos como os DI, parte do que fica parado na conta. Mas uma parte pode vir do CDB, que é o principal instrumento de captação dos bancos, em março/2026 o estoque de CDBs na B3 chegou a R$ 2,8 trilhões.


Se uma fatia relevante dessa captação via CDB migrar para o Reserva, os bancos vão disputar recursos com um concorrente muito difícil de enfrentar, pressionando o custo de captação bancária.


Quando esse custo sobe para os bancos, a tendência é que isso pressione também o crédito oferecido por eles. Não de forma automática, nem igual para todos, mas a direção é clara. Com bancos médios e pequenos podendo sofrer mais, porque já precisam pagar taxas maiores para captar. Agora, para competir com a taxa do Reserva, essa conta pode ficar ainda mais cara.


Assim, o Reserva pode ser excelente para investidores e até forçar as taxas dos CDBs para cima, o que é bom para quem aplica. Mas pode ser ruim para quem precisa tomar crédito. E isso não é detalhe, pois em março 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, e o Índice de Desconforto de Crédito da FGV estava em 0,94, muito próximo do máximo da série.


Do ponto de vista do Tesouro, o produto é uma forma de captação mais barata, pois paga a SELIC, enquanto o Tesouro SELIC 2031 paga SELIC+0,0816% a.a. (14/05/26). Mas há um ponto delicado, o Reserva foi projetado sem marcação a mercado para o investidor. Isso é ótimo para quem aplica, pois o emissor oferece conveniência, previsibilidade e liquidez.


Porém implica em risco para o Tesouro, pois quando os investidores resgatam seu dinheiro o Tesouro poderá pagar um valor maior pelo título do que ele vale, e a pergunta é: quem paga esse prejuízo? A resposta é o Tesouro, na verdade é o povo brasileiro. Perdas do Tesouro são financiadas com emissão de mais títulos, que para serem atraentes aos investidores terão que oferecer taxas maiores, logo a redução de custo para o Tesouro poderá não durar muito tempo, e o endividamento do Governo como um todo aumentará.


Se os recursos que vão para o Reserva não sairem dos CDBs, e sim da Poupança, quem serão afetados serão os créditos imobiliário e rural, com oferta sendo reduzida e taxa de juros aumentando.


O Reserva tem tudo para ser um sucesso do ponto de vista do investidor, mas por ser tão bom para quem aplica, ele pode produzir efeitos colaterais menos visíveis e mais problemáticos para quem depende de crédito.


Como quase tudo que acontece em finanças, não há almoço grátis.




Observação: a imagem deste texto foi gerada pelo ChatGPT.


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