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desSELICzar a economia brasileira

  • Foto do escritor: Ricardo Rochman
    Ricardo Rochman
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

A SELIC nasceu como nossa taxa básica de juros, mas virou uma espécie de “centro gravitacional” da economia.


Aproximadamente 48% da Dívida Pública Federal está vinculada à SELIC (via LFTs), algo próximo de um terço do PIB brasileiro. Além disso, grande parte dos CDBs (mais de 70%), fundos DI, debêntures CDI+, capital de giro, e decisões de investimento usam a SELIC ou a Taxa DI (ou do CDI) como referência.


E essa dependência vai ainda mais longe, pois até a remuneração da poupança está associada à SELIC. Lembrando que desde 2018, quando não há volume ou número suficiente de operações elegíveis no mercado interbancário, a Taxa DI passa a ser igual à SELIC Over, o que na realidade se vê que desde outubro de 2018 a taxa DI tem sido igual a SELIC.


Se por um lado essa estrutura ao redor da SELIC torna a política monetária brasileira muito potente, pois a SELIC virou um canal muito rápido de transmissão dela, por outro a torna também muito custosa.


O excesso de indexação da economia brasileira à SELIC/CDI aumenta a necessidade de hedge de DI por empresas, bancos, fundos e investidores. De 2023 a 2025 aproximadamente 50% do volume diário de contratos vem de derivativos de juros. Quanto mais a economia depende da SELIC, mais agentes precisam gastar recursos apenas para se proteger da própria volatilidade da taxa básica, desviando capital que poderia ser usado em investimento produtivo, expansão e redução do endividamento.


Quando o Banco Central sobe a SELIC para conter a inflação, o efeito aparece rapidamente na dívida pública, no custo de captação dos bancos, no crédito das empresas, nas parcelas das dívidas das famílias e no custo de oportunidade dos investimentos. O remédio funciona (aparentemente), mas os efeitos colaterais são fortes: maior despesa financeira do governo, maior endividamento privado, menor investimento e menor crescimento. Temos que questionar, a política monetária precisa ser tão imediatista assim para conter a inflação?


Nos EUA, a dinâmica é diferente. O Federal Reserve (Fed) define a a Fed Funds Rate (taxa básica lá), mas a economia dos Estados Unidos não é tão diretamente indexada a ela. A Fed Funds influencia as taxas de mercado por meio de instrumentos como juros sobre reservas, operações no mercado monetário, mas produtos e contratos relevantes usam outras taxas, como, por exemplo os Treasuries, SOFR, prime rate etc., e consequentemente a curva de juros, ou seja, o mercado vai se ajustando a nova taxa de forma mais devagar do que no Brasil, porém eficaz.


Por isso, o verbete “desSELICzar” não significa reduzir artificialmente os juros nem enfraquecer o Banco Central. Significa reduzir a dependência estrutural da economia brasileira em relação à taxa básica, que pode ser feito pelo CMN e Banco Central por limites a captação e aplicação ligadas a SELIC pelos bancos e empresas.


Para o BCB, isso pode tornar a política monetária mais saudável no longo prazo. A SELIC continuaria sendo usada para controlar inflação, mas com menor efeito colateral imediato sobre a dívida pública e o endividamento privado. O desafio é que a transmissão poderia ficar menos instantânea, exigindo melhor comunicação, mais credibilidade fiscal e maior foco nas expectativas.


Para empresas, a oportunidade é alongar dívidas, reduzir exposição ao CDI, usar mais instrumentos prefixados, como os IPCA+, ou vinculados ao fluxo real do negócio.


O Brasil não precisa apenas discutir se a SELIC deve subir ou cair. É urgente discutir porque tanta coisa ainda depende dela!!!


A economia brasileira virou refém da SELIC, e desSELICzar é necessário para criar de fato uma agenda de crescimento, estabilidade financeira e redução da fragilidade do governo, empresas e famílias.


Imagem criada pelo ChatGPT a partir do texto do autor.

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