• Ricardo Rochman

Será que a estratégia do preço médio funciona? (spoiler: nem sempre)

Atualizado: 29 de jun. de 2020

A estratégia de preço médio é de investimento em ações que alguns investidores utilizam para aproveitar a queda do preço da ação, comprando mais ações quando o preço cai e assim fazendo um “preço médio” menor de aquisição das ações em comparação com o praticado anteriormente. Quem emprega esta estratégia acredita que o preço da ação irá subir em determinado momento no futuro (quando é este futuro ninguém sabe).


Para testar a estratégia do preço médio pegamos as 75 ações que compuseram o IBOVESPA no final de abril de 2020, e para cada uma delas fizemos 5000 simulações com diferentes períodos (sempre maiores ou iguais a 22 dias úteis, que equivale a um mês corrido). Ao final de cada período simulado verificamos se a rentabilidade obtida pela estratégia com a ação superava o obtido em investimento em títulos públicos que remuneravam a taxa SELIC. Com isso conseguimos calcular a proporção de vezes que a estratégia do preço médio superou a taxa SELIC em relação ao número de vezes que ela foi executada. Sempre devemos comparar o desempenho de uma estratégia de investimento com uma referência (benchmark), aqui escolhemos a taxa SELIC.


A estratégia do preço médio foi aplicada da seguinte forma:

  1. Estabelece um valor de investimento na ação para cada compra, por exemplo, R$ 1.000; um prazo para aplicar a estratégia, e um percentual de queda do preço da ação (ex. 1%);

  2. Espera o preço da ação cair em um dia pelo menos o percentual especificado no item 1;

  3. Em seguida compra uma quantidade de ações no valor de investimento estabelecido no item 1;

  4. Se o prazo definido no item 1 acabar então compara com o rendimento das ações compradas com o da SELIC, senão volta para o item 2 e espera a próxima queda ou o final do prazo estipulado para aplicação da estratégia.


Fizemos o procedimento acima considerando compra de ações quando o preço cai 1%, 3%, 5%, 7% e 9%, dentro de um período que ia de 02 de janeiro de 2010 até 30 de abril de 2020. Os resultados principais são:

  • A estratégia supera a taxa SELIC em 66,2% das simulações em média, ou seja, ela não é garantia de sucesso, mas é melhor do que jogar cara ou coroa;

  • Quando o percentual de queda da ação era pelo menos 1%, 70% das ações testadas obtiveram desempenho superior à taxa SELIC em mais de 50% dos casos simulados.

  • Quando o percentual de queda da ação era pelo menos 3%, 80% das ações testadas obtiveram desempenho superior à taxa SELIC em mais de 50% dos casos simulados.

  • Quando o percentual de queda da ação para aplicar a estratégia muda de 1% para 3%, há um aumento de 4,32% em média nos casos que superam a taxa SELIC, e a estratégia melhora até 7% de queda. No entanto o investidor que usar 9% de queda como parâmetro verá queda nos casos que superam a taxa SELIC.

Em resumo, a estratégia do preço médio não é garantia de desempenho superior ao do simples investimento em títulos públicos que remuneram a taxa SELIC, mas se o investidor decidir usá-la recomenda-se que a aplique quando o preço da ação tiver queda no dia maior ou igual a 3%.

O código desenvolvido em R para fazer as simulações da estratégia está disponível na seção Apps do site, juntamente com aplicativo desenvolvido em Shiny para testar a estratégia online.

A tabela a seguir apresenta as proporções de casos de sucesso da estratégia do preço médio em superar a taxa SELIC para a amostra utilizada (ações do IBOVESPA no final de abril de 2020), e diferentes percentuais de queda do preço da respectiva ação:



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