• Ricardo Rochman

Banco Central abre a torneira, mas o cano está entupido

Atualizado: 29 de jun. de 2020




Durante esta crise o BC está tomando medidas para colocar mais dinheiro no mercado, tanto para garantir a solidez do sistema financeiro como para aumentar a oferta de crédito para empresas, mas não adianta abrir a torneira se o cano está entupido, ou seja, os recursos disponibilizados ficam represados nos bancos. O BC deveria trabalhar nos canais de distribuição dos recursos de algumas formas:


  • Trabalhar a falta de interesse dos bancos no mercado de pequenas e médias empresas (PME), que pode mudar se os gerentes tiverem metas para oferecer crédito para essas empresas. Os bancos poderiam trocar as metas da sua força de vendas de capitalizações para empréstimos para as PMEs, e o BC poderia impor metas mínimas de volume de carteira de crédito para os bancos e taxas máximas de juros. Os sistemas de riscos dos bancos estão viciados com dados dos últimos anos, e não compreendem a situação atual, por isso o spread cobrado elimina qualquer benefício de redução dos juros pelo Governo, por isso reduzir a SELIC a zero não funciona.

  • Alterar o requerimento de capital do BC devido ao acordo da Basiléia, que serve para reduzir risco do sistema financeiro. O BC já reduziu o Fator de Ponderação de Risco para as operações de crédito às PMEs de 100% para 85%, que teoricamente injetou R$3,2 bilhões, mas isto é pouco foi feito de forma muito restritiva. O BC poderia reduzir para 50% que o sistema financeiro continuará muito sólido.

  • Liberar recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para fintechs e bancos públicos (isentos dos requerimentos da Basiléia) emprestarem sem restrições para as PMEs. De acordo com o balanço de fevereiro de 2020 (o último disponível), o FGC tem mais de R$51 bilhões em aplicações de curto prazo (basicamente títulos do Tesouro Nacional), imaginem que 10% desse montante poderia ser liberado (praticamente a fundo perdido) para as PMEs, e o sistema financeiro continuaria sólido. Entre nós, poderia liberar R$10 bilhões que o FGC ainda terá mais de R$70 bilhões no seu ativo.


Alinhar os interesses da população com dos bancos é o desafio que o Banco Central terá que superar para fazer fluir o crédito na economia.



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